sábado, 30 de outubro de 2010

No Alto da Montanha


Na Ásia, entre o Nepal e o Tibete existe um grupo de montanhas conhecidas como cordilheira do Himalaia, ao todo são mais de 100 montanhas que passam dos 7.000 metros de altura. Entre essas montanhas o monte Everest é o mais alto, a sua altura muda todos os anos devido ao movimento das placas tectônicas que empurram o monte cada vez mais pra cima e já está com mais de 8.840 metros. O cume desse monte foi alcançado pela primeira vez em 1953 por Edmund Percival Hillary (provavelmente o mais famoso alpinista do mundo) e Sherpa Tenzing Norgay. O Aconcágua, localizado nos Andes argentinos aqui na América do Sul é o segundo pico mais “próximo do céu” com mais de 6.960 metros. Outro pico bem conhecido mundialmente que fica no norte da Tanzânia na fronteira com o Quênia é o Kilimanjaro na África, considerado o 4º ponto mais alto do planeta, é classificado pela UNESCO como patrimonio da humanid. Possui o chamado “gelo eterno” que está derretendo consideravelmente, especialistas no mundo inteiro usam fotos desse pico para afirmar um dos efeitos do aquecimento global. Aqui no Brasil é o Pico da Neblina no norte do Amazonas que possui o ponto mais alto, com 2.994 m (1/3 do monte Everest, impressionante!). HÁ poucos dias, Rafael Meneses que está comigo na foto acima, me disse ter subido no 3º ponto mais alto do Brasil, o Pico da Bandeira em Minas Gerais. A foto acima foi tirada no último feriado de Carnaval, 3 casais (Eu e Mayra, Rafael Meneses e Gisele, Manuela e Andersom) resolvemos “subir um morro!”. Fomos até o sul do Maranhão, escolhemos um e quando estávamos no cume eu falei com a Gisele:
- Gisele, tira uma foto aqui. Pode ser?
- Ta. Sem problema.
O click da máquina de 12 megapixels congelou a imagem logo acima, os olhos de quem esta nas alturas gravam o que é visto, o cérebro sente as sensações de prazer e medo e o corpo descansa. Só quem chega ao cume de qualquer montanha, morro ou monte é que pode sentir algo ou não, vai depender do estado de espírito de cada um. Mais a sensação que muitas pessoas sentem, é o que faz não parar de subir, e é essa sensação que já levou várias pessoa a morte em escaladas no mundo todo. É uma sensação que nem mesmo o risco da morte consegue impedir e o alpinista gosta desse prazer, quando se chega ao cume é que valorizamos mais a vida, por que nos damos conta de que existe muitos morros, montes e montanhas para escalar, e a sensação que sentimos vai se repetir muitas outras vezes.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Sala de aula


É engraçado, essa semana ocorreu uma situação curiosa numa turma que eu ministro aula, mais precisamente em uma turma de 8º série (9° ano) do ensino fundamental. Quem é professor ou já foi professor sabe que na sala de aula acontecem algumas situações que marcam, seja de uma forma positiva ou negativa, mais marca.
Situações inesperadas: um aluno se levanta e dar uma lição de moral em um colega, dizendo que se o aluno que estava bagunçando não queria nada com a vida, ele queria, queria ser alguém na vida e chamou o aluno bagunceiro pra porrada, uma turma uma certa vez me fez uma festa de aniversário surpresa e depois de cantar os parabéns começou uma guerra de comida e a sala ficou uma porcaria.
Situações inacreditáveis: eu já dei aula para três turmas ao mesmo tempo com atividades diferentes (quem acha que isso só acontece em escola pública, isso foi em uma escola particular), acertei as questões de 3 vestibulares da UFMA, depois que eu acertava, os alunos diziam que eu tinha algum esquema na UFMA para acertar as questões, um aluno de 12 anos que discutiu comigo uma vez a teoria da evolução de Charles Darwin com argumentos que impressionava.
Situações nojentas: eu já presenciei uma aluna limpando a orelha com a blusa de farda, uma outra que tirava meleca do nariz e comia, uma que sempre estava com as axilas muito fedidas, dentes com cáries, um aluno que se cagou e todo mundo ficou rido da cara dele e por ai vai.
Situações emocionantes: apesar de dar certa emoção ver um ex-aluno fazendo um curso superior em uma boa faculdade, ser escolhido no final do ano pra ser o padrinho da turma de terceiro ano, ser disputado entre os alunos para ser o professor que irá orientá-los na feira de ciências ou ser escolhido pela turma para ser o professor conselheiro, nada me emociona mais do que uma situação bem simples, quando eu termino minha aula e vem um aluno ou aluna no corredor da escola ou no pátio e diz: “Poxa Emílio, essa aula foi massa”. Pra mim, não tem dinheiro que pague isso.
Mais o que aconteceu comigo essa semana eu não consegui enquadra em nenhuma das categorias ai citadas, eu tinha passado uma atividade e alguns alunos tinham terminado e outros ainda faziam, faltavam 10 minutos para terminar o horário naquela turma. Eu me sentei, apoiei meus braços na mesa do professor e fiquei esperando o horário terminar foi quando eu me deparo com um aluno fazendo um desenho do Diego Maradona batendo bola com o Pelé, quando eu vi aquilo eu perguntei:
- Elemento, tu sabe fazer caricatura?
- Sei professor, mais eu não faço mais não.
- Porque não?
- Por que uma vez eu desenhei um professor e deu a maior confusão, ele não gostou e me levou pra secretaria. Levei a maior bronca. Fiquei traumatizado depois disso, desde então nunca mais fiz caricatura de ninguém.
- Faz uma caricatura minha elemento.
- Tu é doido professor, Deus me livre.
- Faça moço, não estou te falando pra fazer?
- É sério professor?
- É rapaz, faz ai.
- Ta bom.
Esse meu aluno começou a rabiscar, somente um aluno que sentava atrás dele de início percebeu a situação, depois veio mais um colega e uma aluna que sentava ao lado. Em poucos minutos ele terminou a caricatura (essa que está ai em cima) e durante as rabiscadas de lápis desse garoto me veio na cabeça o que diz a “Psicologia objetivista” que afirma que todo o conhecimento de uma pessoa vem a partir da experiência, que tipo de conhecimento esse aluno obteve com a experiência do professor que o levou pra secretaria por causa de uma caricatura? Alem dessa teoria, no passado existiu um biólogo que pouca gente sabe que ele foi biólogo, pois ele aparece mais nos cursos de licenciatura e nos cursos das áreas humanas, ele é o Jean Piaget. Ao contrário da Psicologia objetivista, resumidamente ele afirmava que todo o processo evolutivo da filogenia humana tem uma origem biológica que é “ativada” pela ação e interação da pessoa com o meio ambiente. No caso da caricatura, o que teria acontecido com o processo do meu aluno quando a ação do professor foi de levar ele na secretaria? Será que existiu uma interação? Uma correção? Uma humilhação? Uma privação? Uma educação? Uma... nessa hora ele me entregou a caricatura que eu acabei gostando e resolvi colocar ela na prova próxima prova que eles irão fazer comigo, ao lado do cabeçalho. E voltando a o que será que aconteceu com o meu aluno, deixo aqui a critério de quem ler isso aqui e tire sua própria opinião, eu ganhei uma caricatura e você o que achou?

sábado, 9 de outubro de 2010

Brasilotyphlus guarantanus


Madagascar é um país da África formado pela Ilha de Madagascár e algumas ilhas próximas. Esse país possui o canal de Moçambique a oste e o Oceano Índico a leste. Esse país tem muitas montanhas e animais exclusivo de la como os lêmures. Só que na década de 90 Scott Sampson, da Universidade de Utah, e cientistas da Universidade do Estado de Nova Iorque descobriram os restos de muitas criaturas fossilizadas na Ilha de Madagascár, entre os fósseis encontrados estava restos de um dinossauro do gênero Masiakasaurus, a julgar pelos seus dentes, era um animal carnívoro de uns dois metros de comprimento. O dente principal do maxilar inferior projeta-se para fora, e não para cima, e os incisivos são alongados e cônicos enquanto que os molares são achatados e serrilhados. Estas características fizeram Scott Sampson afirmar:

- Este é uma nova espécie de dinossauro. Uma das coisas curiosas sobre ele é que seus parentes mais próximos estão na distante Argentina.

É comum, em trabalhos de campo na área de biologia, alguém levar músicas que são ouvidas a noite ou mesmo alguém que toque violão para animar as noites. E esse grupo de cientistas em Madagascar não era diferente, a banda que eles ouviam era Dire Straits, uma banda de rocky Britânica formada em 1977 por Mark( guitarra e vocais), seu irmão David Knopfler (guitarra), John Illsley (baixo) e Pick Withers (bateria). Entre suas canções mais conhecidas estão "Sultans of Swing", "So Far Away", "Money for Nothing", e "Brothers in Arms". Como o grupo de cientistas estava diante de uma nova espécie de dinossauro, teria que batizalo, com isso fizeram uma homenagem ao vocalista do Dire Straits o Mark Knopfler, eles então batizaram o dinossauro encontrado de Masiakasaurus knoplferi. Essa publicação pode ser encontrada na revista Nature 409, publicada em 25 de Janeiro de 2001. O que essa história tem haver com o elemento que está na foto acima? Bem o nome dele é Adriano Maciel, hoje ele é mestre em Zoologia e está no Departamento de Zoologia do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém do Pará. Eu conheci esse rapaz ainda na graduação, do curso de Ciências Biológicas da UFMA em São Luís e nossa amizade ficou mais próxima quando descobrimos que tínhamos um ponto em comum, nos dois gostamos muito do eterno “maluco beleza”, ou seja, do Raul Seixas. O Adriano era um cara que estudava cecílias na graduação e continua até hoje. As cecílias são anfíbios sem patas escavadores ou aquáticos que ocorrem em habitats tropicais do mundo todo. Uma vez eu conversei com ele a respeito disso:

- Bicho, tu conheceu cecílias com que idade?
- heheh, nem lembro. Foi em 2003 a primeira vez tinha uns 23 anos.
- Já na faculdade?
- sim, em Urbano Santos.
- Elemento, o que te fez ser atraído pelas cecílias?
- Cara, quando coletei as primeiras, me empolguei pelo fato de serem anfíbios altamente diferente do convencional conhecimento do que é um anfíbio. Mas me empolguei pra estudar mesmo, depois que comecei a conhecer a literatura e ver o quanto esses bichos são enigmáticos e desconhecidos.
- Beleza, e depois que tu conheceste um pouco mais? Mudou alguma coisa?
- Pretendo continuar estudando esses bichos, mas se não for viável pro doutorado vou mexer no doutorado com Anura ( a ordem de anfíbios que estão sapos e pererecas) mas sempre disposto a descrever uma espécie que aparecer ou historia natural, etc
- ok.

Durante o seu mestrado, o Adriano teve uma boa surpresa, assim como existe dinossauros do gênero Masiakasaurus, existe cecílias do gênero Brasilotyphlus e este elemento encontrou uma nova espécie de cecília do gênero Brasilotyphlus. Essa nova espécie, que esta na foto acima, foi encontrada no município de Guarantã do Norte, estado de Mato Grosso e em homenagem ao município, Adriano Maciel junto com mais dois pesquisadores deram o nome a nova espécie de cecília encontrada aqui no Brasil de Brasilotyphlus guarantanus. Eu achei uma puta de uma sacanagem essa ai do Adriano, se eu tivesse no lugar dele faria o que o Scott Sampson fez, mais o homenageado seria o pai do rocky nacional, poderia ser Brasilotyphlus seyxas ou Brasilotyphlus raulzytus. Mais fazer o que, eu não sei se os outros caras que publicaram com Adriano gostavam de Raul. Essa publicação do Adriano pode ser encontrada na Zootaxa 2226: 19–27 do ano 2009. No seguinte endereço eletrônico:www.mapress.com/zootaxa/.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Sarney, Alguém conhece?

(Atenção, a história e o personagem são fictícios, mais os locais existem, quem quiser pode conferir)

Em 1983, na Maternidade Marly Sarney, em São Luís, nasce um bebê de olhos esbugalhados, pernas tortas e com um cabeção. Os Pais ao receberem o menino tiveram que colocar um nome:
- Cauã?
- Janequine?
- Já sei amor. Vamos chamá-lo de Zé Ninguém.
- Perfeito!
Zé Ninguém cresceu no Bairro Vila Sarney, viveu nesse bairro até os 4 anos de idade, quando a família resolve mudar-se para a Vila Sarney filho. Chegando lá, não conseguem se adaptar, ruas esburacadas, lixo e esgoto a céu aberto e muita poluição sonora. A família resolve então mudar-se para a Vila Roseana Sarney, o Zé Ninguém vive parte de sua infância nessa vila e na Vila Kiola Sarney, conhece vários amigos, mais com o passar dos anos, tem seus amigos mortos por causa da violência do local. Zé ninguém é enviado ao interior do estado, pois seus parentes conseguem uma vaga em uma boa escola em Pindaré Mirim, a Escola José Sarney Costa, nessa escola o índice de bagunça é muito grande então Zé Ninguém resolve mudar-se para Santa Inês e se matricula na Escola Senador José Sarney, é um período de boa adaptação mas, ocorre uma tragédia na família de Zé Ninguém em Santa Inês, todos estão desempregados e como são todos analfabetos, tiveram que se retirar ao município de Cidelândia, que fica na região do bico do papagaio, próxima a Imperatriz, lá Zé Ninguém consegue uma vaga na Escola Municipal Presidente José Sarney mais o ano já está perdido e Zé Ninguém reprova de ano. Um belo dia um assaltante entra em sua casa e mata todos da família, Zé Ninguém é o único a escapar por que estava trabalhando como vigia de cemitério, ao chegar em casa percebi a tragédia e parte para outra cidade. Zé Ninguém agora chega a Lagoa do mato e termina seus estudos na Unidade Integrada Senador José Sarney, e acompanha notícias através da TV Mirante que é de propriedade de José Sarney. Zé Ninguém começa a perceber que alguma notícias não são comentadas.
- Que porra é essa? Vou começar a ler jornais da banca.
Chegando na Banca, Zé Ninguém pergunta:
- Qual o jornal que vocês vendem aqui?
- Jornal o Estado do Maranhão (de propriedade de José Sarney)
- Eu vou levar.
O tempo passa e ele percebe que as notícias que saem no jornal o Estado do Maranhão é muito parecidas com os que saem no JMTV da TV Mirante.
- Que porra é essa?
Uma noite ele ouvia as rádios Mirante AM e FM, ambas de propriedade de José Sarney, e é anunciado o vestibular agendado de uma universidade particular em São Luís. Alguns de seus amigos haviam falado que essa universidade era boa e que o dono era um tal de José Sarney. Zé Ninguém então pensa:
- Poxa, vou voltar pra capital e estudar, ser alguém na vida.
Ele pega um ônibus na rodoviária rumo a sua cidade natal, no caminho passa por várias cidades entre elas Joselândia, Presidente Sarney e outras. Chegando então a capital do estado do Maranhão na Rodoviária Kiola Sarney. Zé Ninguém desse e sem lugar pra ir, entra em um coletivo e desce na Praça Deodoro onde ele encontra a Biblioteca José Sarney. Zé Ninguém entra na biblioteca e procura livros para estudar, entre esses livros ele encontra vários livros como: A pesca do curral de 1953, Brejal dos Guajás e outras histórias, 1985. Tempo de pacotilha, 2004. Todos de autoria de um certo homem chamado José Sarney. Zé Ninguém então resolve procurar livros de contos e encontra: Norte das águas, 1969 e Dez contos escolhidos, 1985. Ambos de José Sarney. Parte então para e estante de livros de crônica e ver: Sexta-feira, Folha, 1994. A onda liberal na hora da verdade, 1999. Canto de página, 2002 e Semana sim, outra também, 2006 e para sua surpresa, todos de autoria de José Sarney, Zé Ninguém resolve ir para o estante de livros de literatura, entre eles um lhe chama atenção: O dono do mar de 1995.
- Dono do Mar? O que será que significa isso? E esse autor? José Sarney...eu acho que eu já ouvi esse nome em algum lugar.
Zé Ninguém Saia da Biblioteca José Sarney, entra no ônibus que passa por cima da Ponte José Sarney, segue pela Avenida José Sarney e vai para casa.Tempos depois passa no vestibular para o curso de administração, no curso ele percebe que as contas públicas do seu estado não são tão bem administradas e ele resolve ir ao Tribunal de Contas Roseana Murad Sarney, Zé Ninguém não é tão bem recebido e resolve reclamar e se dirige ao Fórum José Sarney.
- Bom dia vigia.
- Bom dia.
- Eu to aqui querendo fazer uma reclamação, onde fica a sala de Impressa?
-Pergunte ali na sala da recepção.
- Obrigado.
Zé Ninguém se aproxima da uma mulher que está atrás de um balcão onde tem uma placa como o nome recepção.
- Bom dia.
- Bom dia senhor, em que posso ajudá-lo?
- Onde fica a sala de imprensa aqui? Quero fazer uma denúncia.
- Olha, a sala de Imprensa Marly Sarney fica logo ali no final desse corredor, logo após a sala de Defensoria Pública Kiola Sarney.
- Sarney?
- Isso, por que?
- Eu acho que já ouvi esse nome em algum lugar.
- Que tipo de denúncia você quer fazer?
- Eu queria saber quem foi que disse que Deus é brasileiro, que existe ordem e progresso,enquanto a zona continua no congresso?
- Eu não sei.
- Eu queria saber quem foi que disse que os homens nascem iguais? Quem foi que disse que dinheiro não traz felicidade? Quem foi que disse que os homens não podem chorar?
- Eu não sei. Mais quem é o senhor mesmo?
- Eu não sou ministro, eu não sou magnata, eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém. Aqui embaixo, as leis são diferentes.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Tecnologia primitiva


O nível tecnológico que temos nos dias de hoje é impressionante, celulares, TV LCD, computadores, jatos de guerra que não podem ser rastreados por radares, sonar altamente potente em navios e submarinos, viagens espaciais, um motor de fórmula 1... Mais tudo isso teve um início. A ferramenta com o registro mais antigo que se tem notícia foi encontrada numa margem de um rio na ilha de Java, que é a segunda maior e a principal ilha da Indonésia. A ferramenta encontrada foi um machado e junto a esse machado tambem foram encontrados restos fossilizados de um hominídeo chamado Homo erectus. Pelos cálculos da ciência essa espécie viveu entre 1,8 milhões de anos e 300 000 anos atrás, num período geológico chamado de Pleistoceno. Mais o que teria levado esse hominídeo a criar essa ferramenta? Seria ultilizada para capturar presas? Seria ultilizado para lutas contra outros homo erectus na defesa de território? Ou seria ultilizado para matar uma esposa infiel? Ou um filhote atentado? Esse pergunta intriga uma parte de cientistas que tenta entender como o nosso cérebro evoluiu e chegou no nivel tecnológico que temos hoje. Alguns pesquisadores perceberam que algumas espécies de primatas elaboram alguns tipos de ferramentas, que são as mesmas encontradas juntas de vários restos de hominídeos. Então, podemos supor que, os mesmos fatores que levam um macaco a fabricar uma ferramenta foram os mesmo fatores que levaram o homo erectus a começar a fabricar as suas. Aqui nas Américas só tem um tipo de macaco que fabrica ferramentas, o macaco-prego. Para a ciência, até o momento, existe sete espécies diferentes de macaco-prego e em três delas ja se tem registro de fabricação de ferramentas. A Ilha de Curupu, que faz parte do município da Raposa no Maranhão, possui mais de 20 km de praias desertas e do outro lado da Ilha é coberta por manguezal, nesse manguezal é encontrado grupos de macacos-prego que usam pedaços de madeira para extrair das raízes do mangue um animal chamado turu, que parece um verme, usado na sua alimentação em determinados períodos do ano. Eu, juntamente com alguns colegas do curso de Biologia resolvemos acompanhar esses macacos nessa ilha durante quase um ano, e uma certa viagem a essa ilha, o grupo era formado por min, Luis Fernando (que está no meio do mangue na foto acima), Bento (de boné vermelho), Mikhail (de blusa azul sem boné) e Raymony Tayllon, o Babú (de boné branco). Chegamos na margem do mangue, após uma longa caminhada pela praia e depois passando pela vegetação que fica depois das dunas chamada Restinga. Começamos então a nos preparar para entra naquele ambiente onde ocorre intensa decomposição de matéria orgânica e exala um odor que muitos não gostam, outros se acostumam e outros não faz a menor diferença. Tiramos as botas, caso contrário atolamos na lama do mangue e as mochilas, para termos mais mobilidade para andar entre as raízes (que na verdade são troncos) do manguezal. Antes de entrarmos no mangue eu disse:
- Pessoal, pendurem suas coisas nos galhos, pois se a maré encher não irá molhar nossas coisas.
- Beleza.
Entramos no mangue, hora pisando na lama hora passando por cima de galhos e troncos de madeira. Em alguns pontos do mangue paramos para ficarmos apenas ouvindo qualquer coisa que possa dar sinal dos primatas. Nessas viagens, algumas vezes podemos registrar alguns comportamentos no mangue, mais nesse dia não conseguimos nem topar com o bando de macacos. O tempo passa, as “mutucas”, insetos chupadores de sangue, não param um só instante e nada dos macacos. Apenas o barulho das árvores do manguezal balançadas pelo vento, o estalo de caranguejos na lama e um palavrão baixo emitidos por um de nos quando topávamos em algo ou quando um caranguejo agarrava alguma parte do nosso pé. Até que eu percebo a maré tomar conta do mangue aos poucos. Nessa hora eu disse:
- Saca só galera como a maré enche rápido, há poucos minutos a água estava cobrindo meu pé, agora já está acima do joelho.
- Melhor voltarmos antes que a maré encha de vez.
- Beleza.
Caminho de volta e a maré enchendo mais e mais, até que a água já estava na nossa cintura, nessa hora eu percebi que tinha a possibilidade de termos que nadar alguns trechos, pois estava subindo muito rápido. Foi quando eu perguntei:
- Todo mundo aqui sabe nadar não é?
- Relaxa pó, eu sei. Tranqüilo. Foi o que o Babú respondeu.
- Comigo também não tem problema não. Essa foi a resposta do Mikhai.
- Rapaz faz tempo que eu nadei, mas dou conta. Bento.
Nessa hora, Luis Fernando fala o que ninguém acreditou, ou melhor, acreditamos e quase morremos de sorrir.
- Eu to fudido, eu não sei não.
- Puta que pariu. Fala sério, o mais alto não sabe nadar, moço...Acho que ninguém aqui dá conta de te carregar não. Kkkkkkkkkkkkkkkkkk. Foi as minhas palavras de consolo ao Fernando.
- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk (Babú)
- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk (Mikhail)
- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk (Bento)
Até que chegamos ao local onde havíamos colocado nossas coisas, sem ter precisado carregar Luis Fernando. Mais o que vimos não foi nada agradável. Algumas mochilas boiando e botas debaixo d´agua. Uma das mochilas era a do Babú, nessa hora ele entra em desespero:
- Puta que pariu.
Ele pega a mochila toda molhada e começa a procurar desesperadamente algo, até que encontra:
- Caralho, o celular do meu irmão que eu peguei emprestado já era e o meu também. Cara e eu nem terminei de pagar essa porra ainda.
A alguns metros do desespero do nosso amigo Babú, Luis Fernando fala feliz da vida:
- Cara ainda bem que minha caneta da sorte não molhou...rsrsrssr.
- Vai tomar no cú porra. (Babú)
No auge do desespero, Babú pegou uma espécie de estojo que estava cheio de papeis e ele diz:
- Poxa pelo menos isso aqui não molhou.
Parecia um castigo divino, nesse exato momento aconteceu o inacreditável, na hora que ele terminar de dizer o estojo cai da mão dele direto para o fundo da água e molha todos os papeis. Ele começa a jogar tudo fora, falando palavras nada educadas e espalhando vários objetos e papéis no mangue. Mikhail tenta usar sua consciência biológica e diz:
- Tayllon não suja o mangue pô, sabe que isso é prejudici...
- Vai se fuder tu é o mangue, to nem aí
Não sei por que, mais nos, como amigos do nosso querido Babú, ao invés de darmos um certo apoio, só conseguíamos ficar sorrindo daquele acontecimento. Pegamos nossas coisas molhadas e voltamos para casa. Será que daqui a algumas centenas de milhares de anos, cinco macacos irão passar pelo que passamos naquele dia? Babú continuou pagando o celular e visitando o bando de macacos no mangue, mais depois desse dia ele nunca mais levou estojo, celular ou nada eletrônico para as nossas idas no mangue.

domingo, 19 de setembro de 2010

Qual seu sonho?


Rafael Mattos Lindoso é o nome desse elemento que ta ao meu lado esquerdo na foto acima, do lado direito está passando um velhinho “Robert” e logo abaixo de nos está os restos fossilizados do maior carnívoro terrestre que a ciência tem notícia, ele foi descoberto e divulgado para o mundo na revista Nature recentemente, em 1995. Foi um dinossauro que chegava a medir 13 m de comprimento, com seu peso variando entre 9 a 14 toneladas de muito músculo. Entre os dinossauros carnívoros, sem sombra de dúvida, o T-Rex é a grande estrela e o mais famoso, o Gigantosauro causou grande expando na época de sua descoberta por que ele era justamente maior que o lendário Tiranossauro rex, esse tamanho todo levou a vários produtores o colocarem em alguns documentários como:Walking With Dinosaurus Special - Chased by Dinosaurus da BBC e Dinosaurus: Giants of Patagonia da IMAX, mais mesmo assim nada disso foi suficiente para esse dinossauro Latino americano ter a popularidade que o seu colega T-Rex norte americano. Ambos viveram num perído chamado cretáceo, que é o ultimo período da era Mesozóica conhecida como “A era dos répteis”. Mais até chegarmos a esta foto, uma certa vez eu estava com Rafael Lindoso no museu de Paleontologia em São Luís, que fica localizado no centro histórico da cidade. E fiz a senguinte pergunta:
- Rafael como foi que tu conheceu esse museu?
- Eu vi num jornal.
- Ai tu começou a frequentar aqui?
- Foi. E não aprei mais.
- Desde quando?
- Rapaz, quando eu começei a vir pra ca, eu ainda estava no ensino médio.
E foi assim que o pequeno e franzino jovem estudante de ensino médio teve o seu contato com o centro de pesquisa no Maranhão que se dedicava a estudar fósseis. Durante o esino médio Rafael Lindoso trocou e-mails com paleontólogos renomados de diversas partes do mundo, alguns deles inclusive chegou a lhe enviar material como jornais e revistas sobre dinossauros e outros animais fossilizados. Rafael ficava a cada dia mais encantado com aquele mundo petrificado. Por três vezes ele tenta passar no vestibular para cursar Ciências Biológicas na UFMA, e em todas ele não passa da segunda etapa. Em uma dessas, eu conversei com ele:
- E ai Rafael será que esse ano dá?
- Cara, não sei passei denovo na primeira etapa , mais passei la em baixo.
- Hum, sei, mais tenta cara. O importante é não desistir.
- O que me mata são as provas de cálculos, eu me dou mal todas as vezes em Matemática, física e principalemente química.
A reprovação três vezes no vestibular não foram suficientes para o jovem desistir de ser um Paleontólogo, ele ingressou no curso de Biologia de uma Faculdade particular e como estudante de biologia participou de algumas explorações, uma delas foi na Ilha do Cajual, uma ilha situada próxima à cidade de Alcântara que tem uma grande concentração de fósseis. A grande quantdade de fósseis dessa ilha foi descoberta em 1995 e todos os anos tem sido realizadas expedições para à procura de mais fósseis. De todas as partes da ilha a parte sul da ilha nunca tinha sido explorada, devido as dificuldades de chegar a sua extremidade, pois essa parte da ilha é protegida por uma enseada que passa a maior parte do tempo submersa, quando a maré recua, só temos 30 minutos para ficarmos na parte Sul da ilha até a maré cobrir totalmente o local onde provavelmente teria fósseis. Durante anos, várias pessoas , inclusive o Paleontólogo Manoel Alfredo Medeiros tentou essa atravessia, mais até hoje dois grupos de pesssoas consegiu chegar na parte Sul da ilha. O primeiro grupo era formado por min, Ronny Barros e Rafael Lindoso, mais essa história eu conto outro dia. Na cidade de Brejo, que fica localizada na fronteira do Maranhão com o Piauí, as margens do Rio Parnaíba, quase no Delta do Parnaíba, foi encontrado um sítio fossilífero repleto de peixes, artrópodes e restos de plantas fossilizados, nessa expedição, mais uma vez eu e Rafael Lindoso tivemos a oportunidade de participar. Naquela ocasião o Paleontólogo Manoel Alfredo Medeiros me fez a seguinte proposta:
- Emílio, tu não quer tomar de conta das expedições aqui em Brejo?
- Não sei, vou pensar.
- Olha, aqui tem material que dar um mestrado e muito provavelmente um doutorado em Paleontologia.
- Vou pensar.
Eu pensei e recusei, não era muito “a minha praia” estudar peixes e artrópodes fossilizados, nem a do Rafael Lindoso que era apaixonado por dinossauros. Mais como não apareceu nenhum novo dinossauro no Maranhão enquanto o Lindoso foi estudante, ele acabou assumindo as expedições em Brejo e se dedicou a fazer a prova de mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Museu nacional e o resultado? Passou entre as primeiras colocações no Programa de Pós-graduação em Geologia no instituto de Geociências da UFRJ. Daqui a menos de um ano ele será mais um paleontólogo no Brasil e um jovem com seu sonho realizado. E quanto à foto, foi tirada no museu Paleontologico Ernesto Bachmann localizado na cidade de Neuquen, Patagônia. O museu foi erguido em cima dos restos fossilizados do Gigantossauro, grande idéia essa. Para uma vida ter sentido é preciso sonhar acordado, por que nem sempre agente lembra do que sonhou na noite anterior, então estipule metas na vida e corra atrás, e se não chegar, você irá perceber que valeu a pena ter tentado.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Sobrenatural


AVISO
(Para preservar as pessoas envolvidas no episódio abaixo, resolvi não mencionar nenhum nome)

A foto a cima é uma base de estudos da Universidade Federal do Maranhão que abrigou estudantes de diversas áreas da biologia. Está localizada próxima a cidade de Urbano Santos, numa área de Cerrado maranhense. Eu não sei se ainda está ativa, mais durante todos os anos que fui aluno do curso de Ciências Biológicas, vários grupos de estudantes desenvolveram pesquisas, beberam bebidas alcoólicas, contaram boas piadas, contaram piadas infames, despertaram mais amor pela sua área de estudo ou odiaram as idas para campo nesse local. Em um dia ensolarado, um grupo de estudantes praticava um método de estudo chamado “procura ativa”, é um método que uma pessoa procura ativamente na mata, durante um determinado tempo, algum animal. Esse grupo específico, procurava anfíbios e répteis em determinadas trilhas já marcadas. O dia fazia muito sol, a procura é proveitosa, alguns animais são encontrados. Alem desse método de encontrar esses animais, o grupo colocou armadilhas espalhadas em pontos específicos da área da fazenda. Essas armadilhas são visitadas e as vezes algum anfíbio, lagarto ou uma pequena serpente é capturada, é um método chamado de armadilhas de interceptação e queda (pitfall). Não confundir com o jogo eletrônico lançado para o video game Atari em 1982 onde controlamos o personagem Pitfall Harry através de uma floresta em forma de labirinto tentando recuperar vários tesouros em determinado tempo. Quem trabalha estudando anfíbios e répteis é chamado de Herpetólogo, e esse profissional tem que procurar esses animais tando de dia como a noite, por isso é uma área da biologia que requer muita dedicação, paciência e tem que gostar muito de estar na mata. A noite chega, é um céu sem estrelas e sem lua, hum herpetólogo não entra na mata em dias de lua, pois a claridade desse astro inibi a saída de alguns animais de suas tocas. Os ventos alísios de nordeste trazem uma corrente de ar fria, as árvores estão se movendo lentamente.
- Todos prontos?
- Sim, está todo mundo de botas 7 léguas, calça jeans, lanterna e facão.
- Vamos então, silencio a partir de agora.
O grupo entra na mata, cada um no seu percuso, o que se ouvena mata depende da estação, a vocalização de alguns sapos e perecas, em rituais de acasalamento e defesa de território, é ouvido apenas em épocas de chuva. As lanternas procuram ativamente por esses animais, animal encontrado, animal registrado. Dependendo da espécies alguns são capturados outros não, em alguns pontos das trilhas da de se ouvir o barulho das águas calmas do Rio Mocambo, esse rio que mais parece um riacho refrescou inúmeros estudantes em fins de tarde. Essas saídas no campo provocavam divesas reações dependendo do horário, alguns não sentiam nada, outros quando se aproximavam do rio sentiam vontade de “pássar um fax” (cagar) no meio do mato . Um grande colega meu me disse que gostava de andar sozinho, ficava viajando como se fosse um bicho selvagem ali, sabia onde tinha ninhos de certas espécies de vespas, de aves, onde encontrava certas espécies de lagartos, esse cara tem até vontade de ganhar uma boa grana e comprar a fazenda para ir pra lá passar umas duas semanas por semestre, uma temporada na estação chuvosa e outra na estação seca do ano. Tudo isso para poder apreciar as peculiaridades de cada tempo e as variações do ambiente ao longo das estações. Sempre que aparecia um marinheiro de primeira viajem pegava alguns sustos com o barulho das árvores rangendo ou uma coruja em seu canto cavernoso rasgando o silêncio da mata escura e fria. Fim do tempo de procura ativa, todos retornam a base, conversas fiadas pra cá, conversar pra lá, algumas vezes uma discussão um pouco mais séria sobre um artigo científico publicado em uma revista especializada no assunto, e nesse dia especificamente estão todos sentados na varanda da casa e um barulho de algo correndo na mata chama atenção de todos:
- O que é aquilo?
Todos olham na mesma direção e o que se vê são as folhas de arbustos sacudirem de forma intensa, como se algo estivesse fugindo mata adentro. Todos que estão ali observam algo de menos de um metro de altura ir pelas matas em direção ao Rio Mocambo.
- Pega uma lanterna, eu vou com uma e tu com outra.
- O que tu acha que é aquilo?
- Deve ser uma raposa, vamos la conferir.
Uma das meninas que estavam no grupo diz:
- Deixa isso pra lá. Biólogo é bicho doido mesmo, não pode ver um bicho no mato que sai correndo pra ver.
- Fiquem ai, agente vai lá rapidinho.
Saíram os dois pela trilha que leva ao rio, escuro total, o que se dava pra ver era onde batia a luz da lanterna, a noite estava fria e sem chuva, nenhuma vocalização de anfíbios, nada de grilos, o que se ouvia era os passos apressados de dois jovens atrás de algo que ninguém sabia o que era. Durante o percurso, outra corrida do animal e os dois jovens param.
- Espera aí.
- Olha lá.
- Vamos fazer o seguinte, eu vou pela esquerda e subo em cima do morro na beira do rio e tu vai pela direita, agente vai com as lanternas apagadas, ligamos ao mesmo tempo ao meu sinal.
- Beleza.
Assim foi feito, eles chegaram ao rio e se posicionaram, um ficou em uma ribanceira nas margens do rio e outro subiu até a metade de uma árvore que ficava na beira do rio, ambos se olham e dão um sinal com a cabeça de que é a hora de ligarem a lanterna onde os arbustos tinham se agitado pela última vez, quando ambos ligam a lanterna eles dão de cara com algo que iria mudar suas vidas a partir daquele dia, a pupila de ambos se dilata, o coração dispara e muito sangue é bombeado pelas artérias a várias partes do corpo, os sentidos ficam mais aguçados, pelos ficam eriçados, todos esses sintomas são sinais de alerta que o corpo emitem sempre que estamos em perigo, uma verdadeira descarga de adrenalina. Eles não acreditam no que estão olhando, um olha para o outro para ter certeza de que o seu companheiro esta vendo a mesma coisa, e os dois se vem bastante assustado, olham novamente para as margens do rio e com a luz da lanterna focando aquilo que outrora passava por arbustos, viram uma pessoa da cintura para baixo, ou seja, duas pernas humanas muito branca sem o tronco. Essas pernas começam a correr e os dois acompanham a corrida com o foco da lanterna, é uma corrida na beira do rio, pingos são lançados no ar a cada passada e os dois amigos levantam a lanterna de cima a baixo e não conseguem ver o corpo, somente duas pernas humanas muito branca correndo nas margens do rio a menos de trinta metros deles, que entra na mata e o silêncio reina mais uma vez na mata, o que se ouve mais uma vez são as árvores rangendo devido ao vento da madrugada.
- Tu viu o que eu vi?
- Vi sim
- O que era aquilo?
- sei lá
Os dois retornam a base em silêncio. E ouvi as pessoas perguntarem:
- O que era que passou correndo aqui?
- Nada não.
-Como nada?
- Nada, vamos dormi.
Todos entram sem entender, mais estava estampado no rosto de ambos o que viram não foi algo natural. Estavam pálidos, trêmulos, olhos esbugalhados. Nenhum dos dois continuou fazendo trabalhos de campo, abandonaram o campo, mudaram suas vidas, hoje essas duas pessoas fazem coisas totalmente diferente do que faziam antes desse dia. Quando eu lembro desse fato, me recordo sempre a uma frase de William Shakespeare, onde ele diz que: “Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia." Realmente, determinadas situações e lugares mudam o rumo de nossas vidas e idéias que temos.