domingo, 23 de janeiro de 2011

Um dia de Vestibulando


Nos últimos dias o sisu (Sistema de seleção unificada) deu muita dor de cabeça, alunos não conseguiam acessar o site e se inscrever em um determinado curso. E nesses dias eu me lembrei do meu primeiro vestibular. Depois de um péssimo ensino médio, tive que “correr atrás do prejuízo” como diz os jogadores de futebol, se bem que não sei se alguém corre atrás de um prejuízo, pelo que eu sei fugimos dele, mais tudo bem. Após um ano sem ir ao cinema, sem assistir filmes, sem praia, sem dar um beijo na boca (uma seca desgraçada), enfim, sem vida social, chega o grande dia. Acordo no domingo às 8 da manhã e vou a padaria comprar pão, alguns minutos depois o pão é mergulhado na xícara que contem café com leite e penso em como foi minha rotina de estudos ao longo do ano, estudando em um cursinho pré-vestibular pela manhã de segunda a sexta, sempre terminava de almoçar 12:30h, assistia o globo esporte e as 14:00 começava estudar durante 45 minutos sem para e depois descansava 15 minutos, estudava mais 45 minutos e descansava 15 até 20:00h. Tomava banho, jantava e assistia o Jornal Nacional, as 21:00 voltava a estudar 45 minutos e descansar 15...até a hora do Jô Soares. Assistia o gordo e depois dormia, acordava ia para o cursinho e a rotina se estabelecia. Como um monge adestrado eu segui essa rotina durante um ano de segunda a sábado, domingo pela manhã eu lia a revista VEJA e a tarde eu relaxava, ficava na porta da rua conversando com meu vizinho e amigo conhecido como “Z”, falávamos sobre música, livros, mitos, lendas, mulheres, amores platônicos, filmes, desenhos, sonhos...sempre era algo diferente. No dia da prova eu fui para a parada de ônibus do farol da educação no bairro Vinhais em são Luís as 11:00h. Como a viagem de ônibus dura uns 40 minutos até a UFMA (local da minha prova) eu achei que seria suficiente. 11:30 e nada de ônibus, 12:30 e nada, 12:40 e nada. Nesse ponto, confesso que comecei a suar frio. 12:45 eu avisto o ônibus vindo, levanto meu braço e aquele ônibus vermelho para e eu entro. 40 minutos depois estou descendo do ônibus em frente ao terminal integrado de ônibus da praia grande, nesse terminal eu deveria pegar o ônibus “Campus” e em 5 minutos eu estaria dentro da Universidade Federal do Maranhão, esse terminal possui duas entradas pela lateral corri desesperadamente para uma delas, pois o ônibus do campus estava do sinal de trânsito prestes a entra no terminal, chegando no portão da integração percebo que esta trancado e o senhor gordo e de bigode me fala:


- Pelo outro portão garoto, aqui está trancado.


Eu poderia ter voltado até próximo ao asfalto e correr em direção ao outro portão, ou passar correndo por cima de uma parte de capim, onde eu chegaria ao outro portão em um tempo 3 vezes menor, quando eu vi o ônibus entrando no terminal não pensei duas vezes:


“Vou pelo capim, se eu perco aquele ônibus, que horas ira passar outro?


Isso já era 13:35, eu lembro disso pois olhei para o ônibus, para o capim e para o relógio. Olhei novamente para o ônibus e corri, corri e corri mais ainda por cima do capim como se fosse o Zen Bolt, mais no meio do capim aconteceu algo estranho, senti o meu pé direito ficar gelado e logo em seguida o esquerdo, sem entender aquilo eu olho para os meus pés e percebo que estou correndo descalço e de meias pretas, pretas por que ficou pretas por causa da lama preta que o capim camuflava, pois eu tinha calçado naquele dia meias brancas. Olho para a entrada do terminal e o ônibus do campus já tinha entrado e estava parado na parada onde vários pré-vestibulandos se aglomeravam na entrada da porta do ônibus. Olhei novamente para os meus pés e logo em seguida para meus tênis uns dois metros atrás mergulhados em lama preta. A lama nas minhas canelas fez meu coração disparar, eu corri de volta atrás dos meus tênis e os resgatei, correndo novamente pelo capim com lama agora chegando as minhas canelas chego finalmente ao portão, entrego o dinheiro e passo na roleta sem esperar o troco. Mais uma corrida desesperada atrás do ônibus de meias meladas até as canelas juntamente com a minha calça jeans e dois tênis, um em cada mão, jorrando lama preta dentro do terminal, o ônibus parte e eu fico. Dobrei rapidamente em direção ao banheiro do terminal, liguei a torneira e joguei meus tênis e começo a tira o que eu podia de lama e em seguida retirei minhas meias e joguei no lixo do banheiro, levanto uma perna e coloco meu pé dentro da pia e começo a lavar as pernas da calça que também estavam pretas de lama, repito a operação na outra perna e em seguida coloco os pés sem meias no tênis. Parto em direção a parada do campus, a cada passada o tênis jorra lama ao seu redor e finalmente chego a parada do campus sozinho, olho para o relógio e vejo que são 13:45, olho para o horizonte e vejo o mar, penso em tudo que eu deixei de fazer para estar fazendo aquela prova naquele dia. Eu pensava:


“O que diabos eu vou falar para o povo la em casa?”


13:50 o ônibus aparece no horizonte e se dirige ao terminal, entro no ônibus e as 13:59 eu chego em frente ao prédio conhecido como “CT” na UFMA, eu desço sozinho do ônibus e saio correndo até o portão e chegando lá, o vigia estava fechando-o, dei um empurrão no portão que o pobre do vigia quase cai e passei correndo em direção as salas, chegando na minha sala, coloca a cabeça na entrada da porta e vejo a fiscal com as provas na mão pronta para distribuí-las, nessa hora todos olham para mim e eu falo:


- Dona, ainda posso entrar?
- Sim.


Ao passar pelos meus concorrentes, todos olhavam para meus pés e colocavam a mão no nariz discretamente, já tentei por diversas vezes imaginar o que passava por suas mentes nessa hora. Onde eu estava sentado, logo se formou uma poça e exalava um cheiro horrível, mais finalmente estava fazendo minha primeira prova de vestibular. Se eu passei? Não, eu não passei no meio primeiro vestibular. Mais nunca esqueci esse dia.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Paranóicos Pensamentos


Petróvisk , pequeno polonês, passou por pitorescas paparicações. Pescou pessoas para perto, pernoitou pequenas princesas, se passando por príncipe parrudo, protetor para pirralhada. Por procurar por pensamentos paranóicos, pensava pandemias pela polônia, panfletos pairavam, pregando pan-eslavismo, pan-germanismo parecendo panteão, pairava-lhe pânico. Pensamentos paranóicos passavam por portas paralelogrâmicas pesadas, personificando personalidades promíscuas preferidas por patifes porcos poderosos. Paranóicos pensamentos, pensava em para, papoula parasita, pegava por partes, perfurava o peitoral, personalizava pessoas, paraplegiava pessoas, pensamentos passageiros passavam por pensamento passados, partilhava perfeito pavor. Paranóicos pensamentos, pejorativo, parecia paracusia, pirando pelas penalidades passadas, pedia participação para parar, penalizar pessoas particulares parecia pouco, para a papoula. Pensamentos paranóicos pareciam perigosos, petrificavam a parte principal da personalidade particular de Petróvisk, pagava panteões de putas penalizadas pelos poderosos, para penujar penúria. Paranóicos pensamentos pareciam penitências, penumbra, perfurando pela parte periférica, perguntas permutáveis permaneciam perturbardor, pois, a paz pairava perto. Papoula permitia pensamentos paranóicos parecendo peritagem, Petrovisk pedia para parar, Petrovisk pedia perdão para pessoas prejudicadas por sua papoula, Petróvisk perseguia paz, Petrósvisk permanecia perturbado, Petróvisk piorou...partiu prematuro.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Sonho de criança


Eu não me lembro do nome da garotinha que estar na foto comigo, nunca fui muito bom em nomes pessoais, mais me lembro do sonho que ela tinha: “Eu tenho vontade de estudar e ajudar minha mãe!” às vezes é bom conversar com crianças, algumas delas não perderam a pureza e a esperança nos seus sonhos, dificuldades que surgem em nossas vidas podem destruir nossos sonhos de infância e adolescência. Algumas pessoas utilizam as dificuldades como incentivo para a conquista de suas metas como eu, já outras são enfraquecidas por mazelas que encontramos ao nosso redor, o ano de 2010 acabou e foram divulgados os índices educacionais do meu estado. O Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que o meu estado é um dos campeões em acabar com sonhos de varias crianças que não conseguem uma oportunidade na vida, pois:
No analfabetismo, o Maranhão obteve o 4º pior resultado do país, com 19,1% de pessoas acima de 15 anos que não sabem ler nem escrever. O estado com a maior taxa de analfabetos é Alagoas com 24,6%.
E os estudantes do Maranhão? Como estão?
De acordo com o desempenho dos alunos maranhense no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de 2009, o estado ficou com a penúltima posição no ranking, atrás apenas de Alagoas. O estado alcançou 355 pontos, e ficou a frente somente de Alagoas, que fez 354 pontos. Um ponto! Puta que pariu! Isso foi um chute que tirou o Maranhão da ultima posição.
Mais nossos representantes públicos estão fazendo toda a diferença, varias prefeituras estão abrindo concursos para quem quiser ingressar na docência, por exemplo, a prefeitura de Açailândia estar oferecendo o salário estratosférico de 605 reais, já a prefeitura de Colinas é um pouco mais generosa, esta aberto concurso para trabalhar como professor e o salário chega a 682,50 R$, a Prefeitura de João Lisboa vai pagar 894,37 R$, em Pindaré-Mirim o salário é de 565 R$, já em Santa Helena a prefeitura paga 724,50 R$ ou seja, com base nesses salários ditos acima, da pra se ter uma idéia de como os professores maranhenses são remunerados, esses profissionais tem que manter vivo o sonho de centenas de crianças que ainda sonham, da pra se ter uma idéia do por que é muito difícil hoje em dia, alguém ter vontade de ser professor?