quinta-feira, 14 de abril de 2011

Um professor sem forças


O sol estava quente naquele dia, 12:50 do dia pra quem mora na região equatorial do planeta, recebe os raios solares na posição perpendicular, ou seja, os raios infravermelhos (que são os que provocam calor) cai direto em nossas cabeças. Resolvi então ir para a escola no meu carro que eu o chamo carinhosamente de “Batman”. Estacionei de frente a escola, em baixo de uma árvore, saio do carro e percebo duas mulheres sentadas em frente a uma mercearia, as duas conversavam e, como estavam arrumadas eu pensei que fosse professoras ou que trabalhassem na escola, na verdade uma era realmente uma professora e outra fazia parte do quadro de funcionários da escola, eu sentei perto delas e até em tão elas conversavam entre si, como nenhuma me dirigiu a palavra eu resolvi me “entrosar” e puxei assunto:

- Vocês também são professoras ai da escola?

- Eu sim, a outra aqui trabalha na secretaria, é a coordenadora. O senhor é professor?

- Sim, professor de biologia.

- a ta.

Pronto, estava estabelecida a comunicação entre pessoas que seriam colegas de trabalho, conversa vai, conversas vem e diversos assuntos são abordados até a diretora da escola chegar, pois estávamos esperando-a para uma reunião que seria realizada as 13:00 horas. Dentre os assuntos, começamos a falar sobre carros e a utilidades dele em uma cidade onde os termômetros chegam aos 37°C em dias normais, até que sou surpreendido com o comentário da coordenadora:

- Professor, se eu fosse o senhor eu não viria de carro aqui pra escola.

- Por que?

- Uma vez, a professora de geografia veio de carro e os alunos ficaram riscando o carro dela com tampinhas de refrigerante brincando do jogo da velha. O carro ficou todo riscado e ela nunca mais veio de carro pra aqui.

Nessa hora eu fiquei pensativo e tentando me colocar no lugar dessa professora, fiquei imaginando o que eu faria se eu tivesse no lugar dessa professora. Confesso que não tenho a mínima idéia do que eu faria, continuamos conversando e a diretora chega, junto com os demais membros do corpo docente da escola, começo a andar em direção a escola e percebo que tinha deixado a carteira no carro, para no meio da rua e dou meia volta em direção ao carro para pegar minha carteira. Retorno a escola e entrando na sala, faço o que todas as pessoas fazem, pelo menos o que eu acho que todos deveriam fazer, dar boa tarde a todos.

- Boa tarde!

-Boa tarde.

Apenas uma mulher, e justamente a que se encontrava mais distante de mim me dar boa tarde, todo o resto das pessoas na sala estão de caras fechadas. E o pior disso tudo, é que um dia anterior, aconteceu a mesma coisa, eu cheguei e dei boa tarde e a mesma pessoa me respondeu. A reunião começa, ao final ficou decidido que eu e mais alguns professores daria aula, os demais estavam participando da greve dos professores do estado. Detalhe, eu me formei em Ciências Biológicas e fiz o seletivo do estado para lecionar a disciplina de Biologia no ensino médio, chegando à escola, percebo que a realidade é um pouco diferente do que tinha nas linhas do edital do seletivo, eu iria ministrar as disciplinas de Ciências no ensino fundamental ( eu fiz seletivo para lecionar no ENSINO MÉDIO), Química (eu fiz seletivo para lecionar BIOLOGIA) e Biologia (ufa, aleluia!). Por que isso acontece? Sinceramente eu não sei, mais sempre foi assim e pelo visto vai continuar sendo. No dia seguinte, é o primeiro dia de aula, e entro na sala e todos os alunos estão sentados e quietos, penso então em fazer algo para descontrair e quebrar o gelo da turma, falo o seguinte para cada aluno:

- Qual o seu nome?

- Rodrigo.

- Rodrigo, pra turma de conhecer melhor, me diz 3 coisas que tu gosta de fazer.

Eu repito esse procedimento em todos os alunos e percebo que alguns começam a sorrir e aquele clima pesado fica um pouco mais leve, a aula então começa. Como é o primeiro ano do ensino médio, começo a falar sobre o que caracteriza um ser vivo, pois estava dando aula de Biologia. Durante 30 minutos eu peço ajuda da turma para eles me darem exemplos sobre coisas do cotidiano deles, para eu poder construir minha aula com base nas coisas que eles estavam acostumados a ver, e durante 30 minutos eu falo sozinho na sala, parecia mais um monólogo do que uma aula.

- Turma, alguém pode me dizer algo que viu na rua quando vinha aqui pra escola? Qual quer coisa que viram no caminho de casa até aqui?

...

Era impressionante, ninguém falava nada, essa turma não tinha nem aqueles engraçadinhos fazendo piadinhas com os assuntos da aula. A sala era quente e abafada, todos os alunos estavam se abanando e contávamos apenas com um ventilador ligado na lateral da sala, apenas 3 alunos eram beneficiados por aquele vento seco e abafado que soprava do ventilador, eles eram beneficiados por estarem sentados de frente a ele. Final do horário eu peço aos alunos que elaborem um texto sobre o que eles achavam da ciência em geral, gosto de ver o ponto de vista dos meus alunos antes deles terem as minhas aulas, pra mim ter uma idéia do tipo de aluno que está em minhas mãos. Na hora que os alunos estão elaborando o texto eu comecei a refletir sobre a profissão de um professor, até que tipo de condições os professores tem que se submeter sem fazer nada? Comecei a pensar sobre alguns pontos nessa escola especificamente:

Primeiro: Nos dois dias que entrei na secretaria e dei boa tarde, apenas uma mulher me respondeu, todas as outras pessoas ficaram com as caras fechadas e em silêncio. Que tipo de ambiente de trabalho é esse?

Segundo: Um professor que tem carro não pode ir a esta escola por que os alunos ficam riscando o carro com tampinhas de refrigerante. Que tipo de educação esses alunos estão tendo para chegarem a o ponto de achar isso uma coisa normal? Riscar o carro do professor ou professora?

Terceiro: Estudar em uma sala de aula com apenas um ventilador debaixo de um sol de quase 40°C do lado de fora? Aquilo lá parecia mais um microondas de humanos vivos. Quarto: Fazer um seletivo para lecionar uma matéria e o estado de entrega outras matérias que você não é formado, tem cabimento uma coisa dessas?

Quinto: ficar responsável por seis diários, ou seja, seis turma. Em cada turma com média de quarenta alunos, em todas as salas o professor tem que elaborar provas e corrigi-las, além de lançar notas de todos os alunos, e tudo isso ganhando o salário astronômico de 660 reais. É mole? Por que o concursado ganha em torno de 2.000 reais e o contratado ganha 3 vezes menos? O contratado vai trabalhar 3 vezes menos?

Sexto: eu recebi uma ligação de uma escola com uma proposta de ministrar a metade das aulas que eu estava acertado no contrato e com outra diferença, o salário de mais de 1.000 reais! Aaaa, eu quase me esqueci, nessa outra escola eu lecionaria Biologia.

Pensando em tudo isso, bateu um sentimento de revolta e de frustração, pela primeira vez em 7 anos de sala de aula e me senti frustrado em estar la na frente, olhando para os alunos escreverem e pensando que não teria como eu continuar naquela escola. Não tive coragem de dizer aos alunos que não continuaria sendo seu professor, e olha que eu não conhecia nenhum aluno ali, era o primeiro dia de aula. Até que em um momento eu digo:

- Turma eu vou ali e já volto.

Saio da escola e nunca mais voltei. Sem adeus ou despedidas.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Locais Misteriosos

Essa foto foi tirada na minha ultima viagem a poucos dias, e todos os créditos eu dedico a minha namorada (Samara Ohanna) por te-la tirado. Quando se viaja, inicia-se uma trilha, essa viagem pode ter algum saldo positivo ou não, vários fatores irão determinar o balanço final. Alguns conceitos mudam, os “trapos” que encontramos, pode nos afetar profundamente, ou seja, pessoas ou lugares podem nos mostrar que nessa nossa trilha da vida, muitas coisas não são como agente pensava que era, e devido ao fato de conhecermos novos horizontes, alguns conceitos mudam pra melhor, pelo menos em pessoas boas. “O homem ao nascer é como uma tábua rasa”, eu li essa frase na oitava série e nunca mais esqueci, eu concordo em partes com ela, mais nunca esqueci. Ela é a versão mais primitiva da frase que diz que o homem nasce bom e a sociedade o corrompe. Os trapos na trilha que passaram por mim, deixaram cicatrizes na minha memória que ajudaram a formar os conceitos que carrego comigo hoje, e os trapos na trilha que ainda irei encontra, podem fazer esses conceitos mudarem, isso é normal. Ouvir histórias de pessoas mais velhas em um povoado isolado em uma ilha, tomei uma bebida totalmente desconhecida na atravessia de um braço de mar, olhei uma índia velha deixar seus Xamãs de lado e procurar o sistema público de saúde da patagônia para resolver seu caso ou conhecer uma Paleoartista que vive de fazer dinossauros de massa para ser expostas em congressos científicos, são coisas não tão comuns para pessoas que não viajam mais meio que normais para quem vive viajando e contemplando o por do sol em locais diferentes. Alguns locais nos afetam, quando estamos neles, outros podem nos afetar simplesmente pelo fato de sabermos que eles existem, dentre os locais que “ainda” não fui, mais ainda irei um dia, e que provavelmente já fez muita gente refletir sobre a vida em geral, posso numera aqui alguns bem curiosos ou “sobrenaturais” para os que gostam do tema.

1. Triângulo das Bermudas

Fica localizado na costa Leste dos EUA, até hoje os registros contam com o desaparecimento de 50 navios e 20 aviões em que nada foi encontrado. Alem desses desaparecimentos, vários navios já foram encontrados nessa região, com um detalhe, nenhum tripulante. A explicação mais racional para isso? “Características geofísicas da região e fatores climáticos são provavelmente as principais causas dos desaparecimentos. Além disso, há a possibilidade da corrente marítima, muito rápida e turbulenta, e falhas na correção da navegação levaram as embarcações a se perderem e envolverem-se em catástrofes.” O que você acha? Eu queria apenas pular pelado de cima de um barco no meio do Triângulo das Bermudas e pensar em todas as coisas estranhas que já ocorreram nesse local.

2. Castelo de Bran

Vlad Dracul Tepes, era o nome do morador de um castelo localizado na Romênia, a região é conhecida como Transilvânia. Nesse castelo, dentre as coisas de que a história não tem notícia, uma marca desse morador entrou pra história, ele empalava seus inimigos (enfiava uma lança no ânus até a lança sair pela boca) e bebia seu sangue, por que ele fazia isso? Vai saber, mais o fato é que esse rapaz que viveu no século XV serviu de inspiração a um escritor chamado Bram Stoker que transformou o guerreiro que empalava seus inimigos no famoso Conde Drácula – o vampiro. A partir dessa primeira história de vampiro, inspirada nas atrocidades de Vlad Dracul, os vampiros de hoje ficaram mais modernos, usam roupas coloridas, brinco, se apaixonam, tem relação sexual, usam gel pra ajeitar o cabelo, estudam em escolas e brilham na luz do sol. Diz a lenda que Vlad Dracul virou um vampiro, mais o que mais assusta, são as memórias de todos os crimes que ele cometeu nesse castelo antes dele se tornar um vampiro, ou seja, quando ele era um humano. É um local que eu tinha vontade de me hospedar e passar uma noite.

3. Tumba de Tutancâmon

Foi faraó no antigo Egito e morreu novo, aos 19 anos. Sua tumba foi descoberta em 1922 e pra surpresa de todos, estava inteiramente preservada. Os faraós achavam que se fossem enterrados com suas riquezas eles iriam com elas para a outra vida, por isso faziam uma tumba escondida de todos com o propósito de nenhum saqueador roubar essas riquezas. E o que teve de especial na Tumba de Tutancâmon? A famosa maldição da múmia. O arqueólogo Howard Carter, descobridor da tumba, morreu dias depois da descoberta, depois dele, o patrocinador da expedição também teve o mesmo destino, alguns de seus amigos e parentes próximos também não sobreviveram muito tempo, a cidade do Cairo ficou sem energia logo após a descoberta, pronto! Uma cidade inteira as escuras, e todas as pessoas que profanavam a tumba acabavam morrendo. Estava completo o ambiente para o surgimento da “Maldição da Múmia”. Uma explicação racional pra isso? O Arqueólogo, o patrocinador e todos os que estavam envolvidos na expedição morreram com sintomas parecidos, todos com febre e dificuldade de respirar, eles poderiam ter inspirado esporos de fungos que se desenvolveram em seus pulmões. Hoje em dia, a ciência tem conhecimentos de algumas doenças como a estreptococose que é adquirida assim, esporo de fungos que ficam em locais fechados como as cavernas e grutas ao serem inspirados se desenvolvem no pulmão de quem os inalou, quanto as parentes que profanaram a tumba, bem... coincidências? rs
Gostaria de visitar essa tumba, mais com um pano no nariz.

4. Ilha de Páscoa

Gigantescas estátuas na Ilha de Páscoa, localizada no sul do Oceano Pacífico. É uma ilha isolada e distante de tudo. Essas estátuas são chamadas de “Moais” e feitas de rochas vulcânicas. E o que mais impressiona? São quase 1.000 estátuas na ilha, algumas com até 22 metros de altura e pesando em média 90 toneladas. Como essas estátuas foram para em uma ilha isolada no meio do maior oceano do mundo, o oceano pacífico? E se não foram levadas pra la, foram construídas la mesmo, quem as construiu? Nessa ilha não tem nenhum vestígio de civilização moderna ou antiga e mais, as estátuas não tem a forma de nenhum Deus de nenhuma civilização antiga até agora estudada, quem fez essas estátuas e como foram para nessa ilha? Seria a perdida Atlântida? Extra-terrestres? Eu tinha vontade de acampar nessa ilha com uma turma, fogueira e um violão tocando Raul Seixas, S.O.S , seria música que eu gostaria de cantar de cantar nessa ilha... “ô seu moço, do disco voador, me leve com você pra onde você for, ô seu moço, mais não me deixa aqui, enquanto eu sei que tem, tanta estrela por ai..”

5. Ruínas Maias


É uma das mais conhecidas, 3 mil anos antes de cristo, uma civilização que tinha muito conhecimento em arquitetura, astronomia e agricultura, simplesmente desaparece de uma hora pra outra. Outra coisa bem marcante na civilização Maia, assim como em várias civilizações antigas, era a prática de Sacrifícios humanos. É um local que tenho vontade de ir para simplesmente ficar sentado em cima de uma ruína de um templo Maia e imaginar a quantidade de sacrifícios humanos em nome de Deuses quem nem mesmo sabemos de sua existência. Refletir o quanto a mente humana mudou ao longo desses 5.000 anos.

6. Amityville


É uma casa localizada no estado de Nova York, na década de 1970, essa casa pertencia à família Defeo. Em 13 de novembro de 1974, Robert DeFeo matou a tiros pai, mãe dois irmãos e duas irmãs menores. No seu julgamento, ele afirmou que o motivo dele ter feito esta chacina, foi o fato dele ouvir “vozes” que lhe ordenaram para ele executar toda a sua família. Um ano depois, a família Lutz comprou a casa sem saber do que havia acontecido no ano anterior, mais em pouco tempo essa família abandonou a casa, alegando que eventos paranormais os atormentavam, como aparições e objetos que se moviam. Depois disso surgiram as lendas como a de que a casa em Amityville teria sido construída num local habitado por um bruxo que escapou de Salem e que construíra ali um portal para o Inferno ou de que ela ficava onde existia um antigo cemitério. Em fim, o caso é que isso rendeu um livro e um monte de filmes para o cinema norte-americano. Apesar de ser uma casa curiosa, eu teria vontade apenas de fazer uma visita rápida. Pra não incomodar os “moradores”.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Os bastidores da educação


Cinco anos, tenho cinco anos de vida no mundo da docência, cinco anos de sala de aula, diários, provas, textos, recuperação, aprovação, reprovação, pincel, madrugadas mal dormidas, correria, salários atrasados, salários em dia, demissão, pedidos de desculpas, amigos, amigas, pessoas incríveis, pessoas nojentas, pessoas comuns, pessoas... O mundo da docência é um dos lugares onde mais se aprender as regras de convivência, em nenhum lugar você é afetado ou afeta diferentes universos como essa profissão, em média são quarenta universos diferentes em cada sala de aula, cada um com seus astros, estrelas, constelações e galáxias. Cada aluno carrega consigo uma personalidade que muitas vezes é o professor que acaba “influenciando” na fórmula final. Isso nos leva a ter bastante cuidado com o que dizemos e o que fazemos dentro e fora das quatro paredes que aprisionam momentaneamente todos aqueles universos infinitos que são as mentes dos nossos alunos. Quem vive nesse mundo tem dois sentimentos, quer passar o resto da vida participando, ajudando a construir e conhecendo universos diferentes, afetando e sendo afetado por eles ou quer de todas as formas um emprego que ganhe melhor e que não tenha tanto “estresse”. Eu sou dos que sempre vou estar disposto a conhecer universos diferentes do meu, e da melhor forma, tentar contribuir para as descobertas de mais e mais galáxias nas mentes dos meus alunos. No entanto, independente do lado que você esteja, uma coisa nunca vai mudar... os bastidores da educação, mais precisamente os bastidores da sala de aula. Em todas as salas de professores que eu freqüentei nas ultimas sete escolas que trabalhei sempre ouvi:


“Eu não agüento mais aquela turma”


“Como é fulano de tal em tua aula? Aquele menino ta pra me deixar doida, é terrível”


“Olha quero falar com os pais dele por que não tem a menor condição de eu continuar dando aula com fulano de tal lá”


“Aquele menino ta ferrado comigo”


“Eu não to nem ai pra essas porras”


“Tu já viu as roupas dessas meninas, Ave Maria. Será se os pais delas sabem que elas andam assim?”
...
Nos últimos cinco anos, apenas uma vez, somente uma vez eu ouvi uma professora fazer o seguinte comentário:


“Professores, eu pedi para os alunos da 8º série para elaborarem um texto sobre o que eles queriam mudar em nossas aulas e eu fiquei horrorizada, olha o que os alunos escreveram”


Essa professora então começa a ler texto por texto e mostrando o que os alunos queriam de cada professor, em que eles poderiam melhorar, ao final do texto ouvi um silêncio e a sirene da escola tocou e todos se levantaram e nunca mais se comentou nada a respeito. Até quando os professores irão ficar em silêncio? Ou melhor, por que quando professores falam de alunos, nunca falam das coisas boas que alguns alunos fazem? Essa é única coisa ruim nessa profissão, pelo menos na minha opinião.

sábado, 5 de março de 2011

Sobrenatural 3


“Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”
(Jesus Cristo – Lucas 23:46)


Observação: Esta história aqui descrita, foi com base em uma conversa que eu tive com um colega chamado Walker, que em outra postagem intitulada de “Sobrenatural 2” ele me conta algo que ocorreu em uma igreja, ao final dessa postagem ele me revela algo que só agora eu resolvi postar.

É noite, o jantar estar na mesa, e como uma família típica dos dias de hoje, o cachorro esta deitado no quintal, o gato lambe os lábios, pois acaba de comer sua ração comprada no quilo na quitanda. A mãe assiste a novela das seis, esparramada no sofá que há muito tempo não é limpo, essa mulher possui uma filha adolescente que passa a maior parte do tempo mandando mensagens virtuais para amigos virtuais, em comunidade ditas sociais, que a cada dia só isola mais ainda as pessoas na frente de um computador. O seu irmão acabou de sair do banheiro e esta agora vestindo sua farda, depois de ter feito um segundo grau que deixou muito a desejar, trabalhou em alguns empregos como assalariado no comercio de Imperatriz, até que resolveu fazer um curso de segurança. Passou nos testes e enfim conseguiu uma vaga em uma empresa respeitada, tem que chegar nesse dia as 19:00h por isso é o primeiro a comer. Senta-se à mesa e delicia-se com uma carne de porco bem gordurosa misturada ao tradicional arroz com feijão, um pouco de limão e um punhado de farinha faz sua refeição ficar completa. Terminada a refeição, bebe água muita gelada que faz doer os ossos da testa, pois não pode chegar atrasado, a pontualidade é uma das marcas de quem trabalha como segurança.


- Mãe, to indo. “Bençã”?
- Deus te abençoe.


A sua titan vermelha financiada em 48 prestações é ligada e parte em direção ao seu destino. Chegando à sede da empresa, o outro segurança espera ansiosamente a sua chegada, pois nas últimas 24 horas ele passou quase todas elas olhando monitores, vendo se estava tudo ok na empresa, ou seja, fazendo seu trabalho.


- E ai rapá, beleza?
- Beleza.
- Tudo tranquilo?
- Tranquilo.


Eles então trocam de posição, quem estava de plantão nas últimas 24 horas vai pra casa descansar e quem estava descansado agora vai ficar as próximas 24 horas olhando monitores. Seu colega vai embora e a noite continua, cadeira acolchoada, monitores ligados e gravando toda a movimentação que ocorre dentro da empresa. Monotonia. Depois da meia noite já não se ouve barulho de carros na rua, já não se meche no celular, as músicas no fone de ouvido são desligadas, ele esta ali, se estar pensado, com certeza são pensamentos bem particulares, pois nessas horas todos nos temos nossas próprias particularidades, sendo elas sem sentido ou não, cada pessoa reage de uma forma diferente quando se esta sozinho em uma sala cheia de monitores que gravam a sala de empresa , a garagem, corredores, escadas, a porta da rua, enfim, todos os cantos. Sobre o que nosso amigo pensava é difícil de descobri nessa noite, mais com certeza ele já pensou em todas as possibilidades de situações que poderiam ocorrer olhando aqueles monitores, um ladrão tentando entra na empresa, um casal de namorados se agarrando de forma picante, um acidente de trânsito envolvendo um motoqueiro, uma menina mo meio do corredor como num filme de terror e por ai vai, mais nesse dia, o que ele estava preste a testemunhar, provavelmente ele nunca teria imaginado. No meio da madrugada, o segurança leva um susto ao olhar para o monitor que gravava a garagem da empresa, ele leva um susto pois um dos carros fortes da garagem é ligado.


- Que porra é essa?


Imediatamente, ele pega o telefone e liga para a central e pede que envie uma viatura para a sede, pois “alguém” tinha entrado no carro forte e tinha dado a partida no carro, enquanto ele falava isso por telefone, o carro continua ligado e o segurança não tira os olhos do monitor, olhando fixamente para o monitor e com a mão no telefone. Motor ligado e rosnando, faróis acessos e o segurança somente esperando chegar reforço, mais antes que o reforço chegue, a primeira marcha do carro forte é engatada e o carro entra em movimento violento em direção ao muro da empresa, a pancada é forte que faz o muro quebrar uma parte, mais não ao ponto de derrubá-lo, nem de deixar um buraco, somente rachaduras.


- Caralho!!! Alô? Pessoal vem logo, o cara ligou o carro e jogou no muro.
- Fez o que?
- Ele tentou atravessar o muro, ligou o carro e foi em direção ao muro, mais depois que bateu o carro foi desligado.
- Fica ai de olho, não sai daí.


O reforço chega, vários seguranças e a polícia estão do lado de fora, os monitores estão ligados gravando tudo, e o nosso amigo em nenhum momento desgrudou os olhos do monitor que gravava o carro forte, ele percebe os seguranças cercando o carro forte que está com a frente parcialmente amassada e ao tentarem abri a porta do carro forte, percebem que a porta está trancada, outro segurança chega com uma chave e abrem a porta, pra surpresa de todos, não tem ninguém dentro do veículo.


Essa gravação foi vista e revista várias vezes por vários seguranças dessa empresa, desde o momento em que os seguranças chegam com o carro forte e o trancam até a hora em que ocorre o fato narrado, em nenhum momento é visto alguém entrando no carro ou saindo, foi a partir desse dia que a empresa não deixou apenas um segurança na empresa e sim dois. Pois dificilmente alguém ficaria de vigia sozinho la outra vez.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Uma Noite Alucinante 3


29 mil ano atrás... (ficção)

Um grupo de hominídeos robustos caminhava em algum ponto no sul da Europa, o clima era frio, mais eles possuíam um cérebro grande e um nariz curto, mais volumoso, características essas adaptativas a climas frios. Com estaturas atarracadas, eles mediam 1,60m de altura com braços grosseiros, muitos músculos e várias cicatrizes pelo corpo. A noite se aproxima e eles se dirigem a uma caverna que lhe serve de morada momentânea, o grupo é formado pelo patriarca e líder, junto a dois irmãos, uma mulher e três filhos. Antes do anoitecer o grupo se retirar aos seus locais de descanso, um dos irmãos ainda esta com fome...

Pouco tempo atrás... (caso verídico)

Eu, juntamente com Raymony Tayllon (o Babú) e Mikhail, após uma viagem de Ferry pelo mar, chegamos ao porto do Cujupe. Chegando ao porto procuramos uma canoa que pudesse nos levar a uma ilha que fica de frente do porto, essa ilha entre outras coisas concentra-se uma grande quantidade de fósseis, é uma ilha semi-deserta aonde uma pequena população que não chega a 200 pessoas sobrevive no centro, em casas muita simples, algumas de tijolo e a maioria de barro e palha. Encontramos um senhor que nos levou até essa ilha, descemos da canoa e olhamos pro caminho que entrava na mata e nos conduziria até o outro lado da ilha, passando pela comunidade, até chegar a Praia do Encantado, nenhum de nos estava com fome...

29 mil ano atrás... (ficção)

Um dos irmãos avisa que vai procurar algo pra comer, o patriarca do grupo segura-o pelo braço e faz um sinal para ele permanecer na caverna, as crianças olham aquela sena e não entendem muito bem, o patriarca então aponta para fora da caverna e gesticula que la fora está frio e é perigoso sair sozinho e a noite, o hominídeo faz uma expressão de não ligar para nada do que o patriarca diz e retira o braço do patriarca do seu e começa a caminhar para fora da caverna, as crianças nessa hora entendem tudo e esbugalham os olhos e correm em direção a mãe e todos se abraçam forte, as crianças apontam para fora da caverna preocupadas e olham pra fora onde seu tio acaba de sumir e olham pra mãe, a mão os conforta e o tio segue seu caminho sozinho, a noite e no frio...

Pouco tempo atrás... (caso verídico)

A caminhada começa, Mikhail e Babú vão à frente e eu carrego a caixa de ferramentas logo atrás, olhando sempre para o chão e uma vez ou outra para os lados e contemplando a mata em nossa volta, é um dia de sol e venta bastante, o clima é extremamente agradável apenas o barulho do vento arrastando as folhas secas no chão ou galhos sendo sacudidos pela ação dos ventos que sopra sem para na manhã daquele dia.

29 mil ano atrás... (ficção)

O hominídeo pisa com seus pés tortuosos no chão irregular, se juntado aos seus dedos que estão quase todos fraturados devido a várias topadas ao longo da vida, esse hominídeo olha ao seu redor e não encontra nada, seu olhar é de indiferença, ele continua a se afastar cada vez mais de onde descansa seu grupo, a caminhada prossegue, com frio ou sem frio, sozinho ou em grupo, escuro ou no claro ele pensa apenas que tem que encontrar algo pra comer...

Pouco tempo atrás... (caso verídico)

Começamos a avistar as primeiras casas do povoado, e não ouvimos barulho de crianças brincando, apenas o vento soprando na varanda das casas, paramos a uns 50 metros de distância de 3 casas que ficavam próximas umas das outras, todos nos olhamos e não vimos ninguém, todas estavam trancadas, uma casa pequena no interior ou povoado dificilmente fica fechada durante o dia, e todas as 3 estavam, naquela manhã. Achamos estranho, ninguém fez um olhar de indiferença, todos olhamos com cuidado, com preocupação, alguma coisa estava errada...

29 mil ano atrás... (ficção)

Após uma longa caminhada na escuridão e no frio, a temperatura cai bruscamente interrompendo a produção de energia normal dos músculos do hominídeo e ele se vê agora com dificuldade de caminhar, a respiração se torna pesada, e a ponta de seus dedos já estão dormentes, o corpo nessa hora começa a bombear sangue para o centro para proteger o coração, é o nosso mecanismo de defesa, por isso as pontas dos dedos ficam sem sangue e adquire a cor rocha, começa ai os primeiros estágios da hipotermia...

Pouco tempo atrás... (caso verídico)

Mais casas surgem no nosso caminho e para nossa surpresa, todas estão fechadas, paramos no centro do povoado onde existe uma pequena escola com duas salas e uma igreja, ao redor várias casas de tijolos e de barro, todas fechadas. Nenhuma criança brincando, ou uma mãe lavando as panelas sujas nas partes de trás da casa, ou uma filha estendendo as roupas num varal, nada. Pescadores tecendo uma rede, meninos com uma baladeira na mão e um “mocó” cheio de pedras, meninas em cima de um pé de cajú...nada! Parecia uma cidade fantasma. Nessa hora eu digo:
- Estranho isso, o que ta acontecendo aqui? Pra onde foi todo mundo?
- Rapaz que porra é essa, eu não to gostando disso, aiaiaiai.
- Calma Babu, vamos continuar.

29 mil ano atrás... (ficção)

O hominídeo não entende por que não sente mais as mãos e encosta os dedos no chão e também não sente mais, é como se as suas mãos e dedos não fizesse mais parte do seu corpo, ele apenas estar confuso agora e novamente olha ao redor e procura algo pra comer, percebe que não consegue mais respirar como antes e sente a vista cansada, tremendo ali no frio, encostado a uma árvore ele encosta a cabeça no tronco e fecha os olhos para nunca mais abri...

Pouco tempo atrás... (caso verídico)

Existe algumas bifurcações no caminho até chegar a Praia do Encantado, e como já havia muito tempo que eu não andava por la, errei o caminho e pegamos o caminho mais longo, a caminhada era para ser feita em 3 horas, já estamos caminhando a quase 4 horas até que eu digo:
- Pessoal vamos para aqui pra almoçar.
- Beleza.
- Rapaz, vamos continuar e comer la na praia, eu não to gostando da gente fiar aqui nessa ilha não, vai la saber que diabo tem aqui.
Realmente Babú já estava com medo, muito medo, mais acabou concordando e almoçou, depois do almoço deitamos pra descansar, nessa hora Mikhail arremessa uma pedra no meio do mato, foi quando nosso amigo Babú da um pulo e olha desesperadamente para todos os lados e com os olhos esbugalhados.
- Que foi isso? Que foi isso? Vocês ouviram?
- KKKKKK
- KKKKK, relaxa Babú, foi Mikhail que jogou uma pedra no mato.
Levantamos e continuamos nosso caminho, antes de chegarmos a Praia do Encantado encontramos um senhor que nos esclareceu o que tava acontecendo na Ilha, estava tendo um surto de malária, várias pessoas estavam morrendo de malária na ilha, doença essa transmitida por um mosquito, o Anopheles sp. Chegando a Praia, armamos as duas barracas e fomos escavar fósseis nas falésias da praia, a noite se aproxima e decidimos entra cedo nas barracas e não tiramos nossas roupas, entramos de meia, calça jeans e camisa, as roupas que tínhamos passado o dia vestido, alem disso usamos todo o nosso repelente que tínhamos, para com isso, não ser picado por algum transmissor da malária, entrei na minha barraca e Babú estava com medo de dormi sozinho, Mikhail foi dormi com ele, eu dormi como uma pedra, lembro somente de um celular tocar no meio da noite e um despertador de manhã cedo, o Mikhail me disse o que aconteceu na noite anterior, no meio da noite no silêncio total a namorada do Mikhail liga pra ele e o celular toca:
- Oi amor, tô, eu tô bem...bj.
Babú nessa hora estava quase pegando no sono foi quando ele despertou e voltou ao pesadelo de ficar naquela barraca acordado, nessa hora Babú já não tinha mais sono, foi quando no meio da madrugado ocorre um barulho:
- Puta que pariu Mikhail tu ouviu isso?
E Mikhail com a voz sonolenta diz:
- Acho que sim Babú, acho que sim...
- Ouvi bem Mikhail, que porra será isso?
- Relaxa.
- Não é nenhum dos Encantados não?
A noite continua e Babú continua acordado como cú na mão, enquanto para Mikhail, parecia que ele estava no céu de tão cansado que estava. Quando o sol deu seus primeiros raios de luz nas areias da Praia do Encantado, Babú estava quase cochilando quando o despertado do celular dele toca:
- Pô Babú , desliga esse aparelho.
Babú nessa hora não agüenta e desabafa:
- Porra Mikhail, caralho! Tu passas a noite todinha dormindo, quando eu to pra pegar no sono teu celular toca e agora depois de ter dormido a noite todinha tu vem reclamar pra mim? vai se fuder porra!
- Calma Babú calma.


Recentemente comentei sobre o medo, realmente o medo que os nossos antepassados tiveram os fez sobreviverem e deixar descendentes também que tinham medo, esse medo foi sendo passado de geração em geração até os dias de hoje, aqueles que não tinham medo, acabaram sendo mortos por alguma fatalidade, se eles tivessem medo, provavelmente viveriam muito mais, o medo sempre nos protege, naquele dia na ilha o medo nos protegeu de pegar malária, dormimos sujos, suados, fedendo, com as roupas que passamos o dia vestido e caminhando, tudo por medo de ser picado por um mosquito, estávamos no meio de um surto de malária em uma ilha, e um surto de uma doença em uma ilha faz um estrago tremendo, ter medo não é sinal de fraqueza, é uma adaptação que temos pra sobreviver mais.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Algumas coisas mudam


As coisas mudam, muita gente diz isso logo após uma derrota no sentido de reverter à situação, mais as coisas e os valores acabam mudando naturalmente, pelo menos alguns. Quem viveu os anos 80 e 90 e chegou aos dias de hoje pode perceber o quanto isso acontece, eu sou de uma geração que agradecia falando “obrigado”, hoje em dia foi substituída por “valeu”. Quando nos deparávamos com uma situação ruim, dizíamos que era “complicado”, nos dias de hoje é “foda”. E os nossos idosos? Que antes eram “coroa” e viraram “véi”? A “danceteria” nos fins de semana virou “boate”. Minha adolescência existia duas danceterias que disputavam a juventude: Broadway e Flyback, na cidade de Imperatriz. Nessa época acontecia muita coisa nos “bastidores” que hoje em dia virou “making off” , gostávamos de ver as meninas com a “calça cocota” que seria a “calça cintura baixa” e algumas delas nos “paquerava” que é a mesma coisa de “dar mole”. Chegávamos perto das meninas e falávamos: “oi, olá, como vai?” já nas boates de hoje em dia dizemos: “e aê?”. Depois de alguns minutos às vezes surgia o, “posso te ligar” que a geração de hoje pergunta: “qual teu msn?” até que chegava a hora de “ir embora” da “festa” que ninguém mais vai embora de lugar nenhum, hoje as pessoas “vazam” da “balada” . Sem falar que para sairmos de casa precisávamos da autorização de nossos pais tipo: “mãe, posso ir?” já os jovens de hoje simplesmente dizem: “veia, fui!”. Vestíamos nossas melhores roupas e às vezes algum amigo se vestia meio “cafona” que na linguagem de hoje se transformou em “brega” e se alguém estava vestido igual a outro era uma “cópia” que hoje em dia é chamada de “genérico”. Outros se vestiam “bacana” que foi substituído por “manero”, no meio da noite quando cometíamos algum erro pedíamos “desculpas” que hoje ouvimos um “foi mal” a noite terminava e voltávamos pra casa, com o passar dos dias, depois de muita atividade batia um “cansaço”, engraçado que ninguém mais fica cansado hoje em dia, as pessoas nos dias atuais ficam “estressadas”. Nessa época eu estudava o “segundo grau”, que não existe mais, hoje os alunos estudam no “ensino médio” e quando conversávamos no “recreio” que agora se chama “intervalo”, nossos “colegas” que agora são nossos “chegados” alertávamos sobre algo falando: “presta atenção” que na atualidade virou “se liga”. O “radinho de pilhas” foi substituído pelo “ipod”, a “máquina fotográfica” que tirava “retrato” ficou obsoleta graças ao surgimento da “câmera digital” que tira “foto”. A “fofoca” que surgia no bairro virou “babado” sobre alguém de “corpo atlético” por exemplo, que ninguém mais tem esse tipo de corpo, hoje as pessoas são “saradas” que na época algumas pessoas que não tinha esse tipo de corpo, tinha “banha”, hoje temos “gordura localizada”. A “peituda” sumiu e deu lugar a “siliconada” a “bunduda” virou “popozuda”e o “alisamento” foi substituído pela “chapinha” até a doença “lepra” foi erradicada, no lugar dela surgiu a “hanseníase” e ninguém mais morre de “derrame”, morre de “AVC”. O “namoro” virou “pegação”, o famoso “amorrrrrrr” foi esquecido e agora é dito: “ benhhêêê! e quando sabíamos de algo e não acreditávamos, perguntávamos: “você tem certeza?” que na geração de hoje é dito: “ah! Fala sério.” Chamar de “negro” também não pode mais, por que pode gerar processo, o termo agora é “afro-descendente” realmente quando eu começo a pensar em tudo isso, e vejo as mudanças acontecendo, lembro-me do ano de 2001 onde eu morava sozinho na travessa da Camboa em São Luís, era apenas um estudante de pré-vestibular as 20:00 da noite estudando ligações covalentes quando a mangueira do botijão de gás se rompeu e começou a vazar gás com muita pressão. Ao sentir o cheiro do gás, eu pensei:


“Caramba, se o gás chegar até a lâmpada, pode ter um curto e esse gás inteiro vai incendiar, a casa vai pegar fogo!!!”


Imediatamente eu me levanto e saio desligando todas as luzes da casa, e o cheiro do gás começa a ficar cada vez mais forte, então eu tive a idéia de abri todas as janelas da casa, pois essa casa ficava em uma esquina. Ao abri a ultima janela, percebi que tinha alguns maconheiros fumando maconha e nessa hora eu disse:


- Ei galera, estourou uma mangueira de gás do botijão aqui de casa e acho que se o gás chegar ao cigarro de vocês vai ter uma explosão aqui.
- Caralho doido, sai dessa casa ai mermão.
- Eu vou só ligar pros bombeiros.


Pego o telefone e disco 193, relato o ocorrido e sai de casa de bermuda, sem camisa e descalço. Posiciono-me do outro lado da rua, a essa altura a notícia se espalhou rapidamente devido ao pânico dos maconheiros e muitas pessoas se aglomeram perto da minha casa na expectativa de ver aquelas explosões que sempre vemos em filmes de ação. Ficamos todos olhando pra casa ouvindo o barulho do gás sair em grande pressão, até que um morador de frente olha pra mim e diz:


- Rapaz, e tu não vai tirar nada de valor de dentro da casa?
- Caramba, é mesmo.


Saio correndo e entro na casa, minutos depois as pessoas me vem saindo com dois estojos de guarda cd´s, um em cada mão. Estava comigo a salvo a coleção inteira do Pink floyd na mão esquerda e a discografia quase completa do Raul Seixas na mão direita, eu nunca tive o disco ao vivo do Raul Seixas, mais tinha todos os outros. Atravesso a rua e todos me olham e perguntam:


- Que diabo é isso?
- É o que eu tenho de valor na casa.
- O quem na casa de valor é um monte de CD´s?


Nessa hora um monte de pessoas começaram a sorrir, até que eu me dei conta da merda que eu tinha feito, eu tinha coisa de valor na casa, realmente e sai mais uma vez para dentro da casa cheia de gás, as pessoas ficaram do lado de fora sorrindo e da pra ter uma idéia sobre o que estavam pensando. Minutos depois eu saio da casa com um monte de livros e apostilas e novamente me perguntam:


- Que porra é essa?
- Meus livros e apostilas, se isso aqui pegar fogo, como eu vou estudar pro vestibular?


Em poucos minutos os bombeiros chegaram e fez todos os procedimentos cabíveis e la por volta das 22:00h eles foram embora, o gás foi dissipado a população foi embora frustrada por não ter visto a explosão e o que eu tinha de valor nessa noite estava a salvo, minhas apostilas do cursinho pré-vestibular, meus livros, e as duas coleções de CD´s, a do Raul Seixas e a do Pink Floyd. Hoje em dia, provavelmente se eu tiver em uma casa e essa casa estiver a ponto de explodir minha reação será totalmente diferente, isso eu tenho certeza. Alguns valores mudam.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Um Bom Professor


"O estudo é a única moeda que não perde o valor"

(Rodrigo Martins)



Conhecer pessoas é interessante, conhecer pessoas interessantes é mais difícil, porém, é muito melhor. Há poucos dias, conheci uma dessas pessoas interessantes, uma mulher (com cara de menina) chamada Samara, pensei que eu fosse a única pessoa que prestava atenção na arquitetura de banheiros, mais depois de conversar alguns minutos com a Samara percebi que não sou a única pessoa que fazia isso. Alem disso, ela me falou uma coisa que muita gente tem a mesma opinião, depois que ela descobriu que eu era professor, ela diz:


- Tu é professor?
- Sim.
- Tu gosta?
- Gosto, sou professor hoje e serei professor o resto da minha vida.
- Cara, eu não conseguiria seguir algumas profissões; professor, médico, advogado Deus me livre. Mexer com gente é a pior coisa que tem. São belas profissões, mais...
- Eu sei.


Realmente, lidar com pessoas é complicado (que digam as atendentes e secretárias da vida), pois nem sempre estamos de bom humor ou com um sorriso no rosto. Mais essa conversa que eu tive com a Samara, me recordou uma redação que eu pedi para meus alunos fazerem sobre quem seriam os melhores professores, e o porquê eles achavam eles tão bons professores. A fórmula de ser um bom professor não existe é claro, pois já teria sido anexada nos currículos universitários, mais a experiência e as conversas com os alunos ajudam a melhorar nosso desempenho em sala de aula, se não existe uma fórmula para ser um bom professor, eu coloco aqui, algumas frases dos textos que os alunos escreveram.


“São os melhores por que eu consigo aprender alguma coisa”


“Sabe se dar bem com todos”


“Controla a sala e nos deixa a vontade para perguntar”


“Faz de tudo para explicar aquele assunto, faz de tudo para ver o nosso bem, acredita em nossas possibilidades”


“Sabe explicar o conteúdo que escolheram para ensinar”


“Gosto das aulas dele por que é bem divertida”


“Sua aula é dinâmica e bastante descontraída”


“Sabem interagir na sala de aula”


“Explicam muito bem, tem muita paciência e compreensão”


“Estão sempre preocupados com todos os alunos se eles realmente estão aprendendo algo”


“Nas aulas dele todos se divertem, mesmo sem querer ele faz os alunos riem, as aulas dele são bem interessantes”


“É um professor que procura realmente ensinar”


“tem a paciência do mundo para explicar uma aula”


Se nos cursos de licenciatura do nosso país, ainda não conseguem preparar um acadêmico para ser um bom professor, eu percebi que quanto mais se ouve, principalmente os alunos, conseguimos aprender muito mais. A frase acima citada foi escrita por um ex-aluno meu.